Como cumprir NR-1 sendo MEI ou microempresa em 2026
Publicado em 18 de abril de 2026 · 8 min de leitura
A partir de 26 de maio de 2026, a fiscalização da nova NR-1 — que inclui riscos psicossociais — começa a autuar empresas que não tiverem Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) atualizado. Multa mínima hoje é de aproximadamente R$ 4.000. Máxima passa de R$ 500 mil em casos reincidentes. MEI e microempresa não ficam de fora, mas o caminho é mais simples do que empresa grande — se você souber qual é.
MEI precisa cumprir NR-1?
A resposta direta é: depende de ter ou não empregado CLT.
- MEI sem empregado CLT (só o próprio empresário): dispensado via Ficha MEI. Não precisa de PGR formal.
- MEI com pelo menos 1 empregado CLT: precisa cumprir. A NR-1 não distingue porte a partir do momento em que há vínculo empregatício.
- Microempresa (faturamento até R$ 360 mil/ano): sempre precisa, independente de ter ou não empregado — se tem CNPJ ativo e contrata qualquer prestador em regime CLT ou equivalente.
Atenção: prestadores PJ, autônomos e estagiários não contam como CLT para disparar a NR-1, mas conte com seu contador pra confirmar o enquadramento do seu caso específico.
O que a NR-1 de fato exige
Simplificando, a NR-1 atualizada pede 4 coisas:
- Identificação dos riscos ocupacionais no ambiente de trabalho, incluindo agora os riscos psicossociais (estresse, assédio, sobrecarga, falta de autonomia, etc.)
- Avaliação desses riscos em termos de probabilidade × severidade
- Plano de ação para eliminar ou mitigar os riscos identificados
- Documentação de tudo isso no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), assinado por profissional habilitado
O que mudou em 2024 e por que afeta MEI
Até 2023, a NR-1 cobrava basicamente riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidente. A atualização de 2024 (Portaria MTE nº 1.419) acrescentou riscos psicossociais como categoria obrigatória. Isso mudou o jogo porque:
- Risco psicossocial é difícil de "resolver sozinho no escritório" — precisa de aplicação de questionário científico (o padrão aceito é o COPSOQ-BR, Copenhagen Psychosocial Questionnaire em versão brasileira validada)
- Empresas grandes contrataram consultorias caras (R$ 30k a R$ 150k). MEI e ME não têm orçamento pra isso
- Fiscalização vai priorizar denúncias do CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) e do eSocial — e muitos acidentes têm raiz psicossocial não documentada
Preciso contratar engenheiro de segurança?
A resposta está na Orientação Técnica SIT nº 03/2023: para MEI e ME de grau de risco 1 ou 2, o próprio empresário pode assinar como responsável legal, desde que o PGR seja elaborado dentro do escopo adequado ao porte.
Para MEI/ME de grau 3 ou 4 (atividades mais arriscadas — construção civil, indústria, etc.) ou empresa média para cima, você precisa de profissional habilitado (engenheiro de segurança do trabalho, médico do trabalho ou técnico de segurança) para revisar e assinar.
Caminhos pra cumprir NR-1 como MEI/ME
| Caminho | Custo | Tempo | Para quem serve |
|---|---|---|---|
| Consultoria presencial tradicional | R$ 3k-15k | 30-60 dias | Empresa ≥ 20 funcionários com orçamento |
| SESI/SEBRAE | Gratuito a R$ 1,5k | Variável | Micro negócios em cidades grandes, com fila |
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Checklist mínimo pro seu PGR ficar defensável
Independente do caminho que escolher, o PGR precisa ter:
- Dados completos da empresa (CNPJ, endereço, CNAE, grau de risco)
- Lista de riscos identificados (físicos + químicos + biológicos + ergonômicos + acidentes + psicossociais)
- Para cada risco: descrição, probabilidade, severidade, nível de risco combinado
- Plano de ação com responsáveis e prazos
- Para os psicossociais: resultado da aplicação do questionário (anonimizado), score agregado por dimensão, comparação com benchmark setorial
- Ordens de Serviço (OS) para cada função, descrevendo riscos específicos e medidas
- Assinatura do responsável (você, se MEI grau 1-2; profissional habilitado nos outros casos)
- Data de revisão (o PGR precisa ser revisto a cada 2 anos ou após mudança significativa)
Erros comuns que geram autuação mesmo com PGR na mão
- PGR genérico copiado de modelo: fiscal compara com a realidade da empresa — se não bate, é nulo
- Não aplicar o questionário psicossocial: a parte nova da NR-1 é justamente essa. Ter PGR antigo sem seção psicossocial = reprovação
- Não ter comprovação de comunicação aos colaboradores: o PGR precisa ser divulgado ao time, e isso tem que ser comprovado (lista assinada, captura de email, etc.)
- Vencido: PGR tem validade máxima de 2 anos. Se está defasado, vale zero
- Assinatura inadequada: empresa com grau de risco 3 ou 4 assinada pelo próprio empresário (sem profissional habilitado) — inválida
E se eu não fizer nada?
A probabilidade de fiscalização direta em um MEI específico é baixa (não há fiscal suficiente no Ministério do Trabalho para ir em cada CNPJ). Mas o risco real aparece quando:
- Algum funcionário reclama no MTE ou entra com ação trabalhista mencionando saúde mental
- Acidente de trabalho (físico ou mental) é registrado e você não tem documento provando que mapeou o risco
- Auditoria fiscal cruzada com eSocial identifica inconsistência
- Participação em licitação ou parceria com empresa grande que exige a documentação do fornecedor
Nesses casos, além da multa, vem exigência judicial de indenização que pode multiplicar o custo por 10 ou 20 vezes. Pra MEI ou ME pequena, é o tipo de evento que pode levar ao fechamento.
Resumo pra decidir
- Você é MEI sem empregado: dispensado (mas considere documentar mesmo assim se trabalha com serviços pra terceiros, facilita licitação e parceria)
- Você é MEI com 1+ CLT ou ME pequena grau 1-2: faz o próprio PGR (caminho rápido é Cumply Mini, mas dá pra fazer manualmente se tiver tempo)
- Você tem grau de risco 3 ou 4 ou mais de 20 funcionários: precisa de profissional habilitado assinando
- Prazo real: até 26 de maio de 2026 é a janela segura; depois disso, fiscalização começa a efetivamente autuar
Próximo passo
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